domingo, 19 de fevereiro de 2017

Conferência do Professor António Ventura - A história da maçonaria com algumas referências a Monforte.


A Biblioteca Municipal de Monforte recebeu ontem à tarde, o Prof. Dr. António Ventura para uma conferência sobre a história da maçonaria e com algumas referências ao distrito de Portalegre, nomeadamente a 
Monforte.




António Adriano Pires Ventura, nasceu em Portalegre (1953), é Doutor em Letras (História Contemporânea) pela Universidade de Lisboa, Professor catedrático de nomeação definitiva do Departamento de História da Faculdade de Letras de Lisboa, Académico de Número da Academia Portuguesa da História e Académico Correspondente da Academia da Marinha.
Dirigiu ou colaborou em inúmeras publicações da sua especialidade, entre as quais A Cidade, Revista Cultural de Portalegre, na sua 2.ª série. Também dirigiu, em Portalegre, o Centro de Estudos José Régio.
Fez conferências e participou em congressos científicos em Espanha, França, Itália, Suíça, Estados Unidos da América, Canadá, Macau, China, Luxemburgo, Polónia, México, Bélgica e Rússia. Fez conferências ou participou em cursos nas Universidades de Toronto e de York (Toronto, Canadá), Extremadura, Complutense de Madrid, Córdova, Saragoça e Autónoma de Barcelona (Espanha), Brown e Dartmouth (USA), Lomonossov (Moscovo, Rússia), Pisa (Itália), Tlaxcala (México), Varsóvia (Polónia), Genéve (Suíça), Aix-Marselha (França), Universidade Livre de Bruxelas e Universidade de Antuérpia.
Em 2014 António Ventura publicou com a chancela do Circulo dos Leitores um livro (cerca de mil páginas) sobre a História da Maçonaria. Nessa ocasião o historiador referiu que: “a caminho de quase três séculos de Maçonaria em Portugal, a sua história confunde-se com a história do nosso país. Por entre anátemas e elogios cegos, importa desbravar a floresta de enganos, positivos e negativos, que rodeia a Maçonaria. Formada por homens, ela contém, como qualquer instituição humana, qualidades e defeitos, sombras e claridades, exemplos a apontar e erros a denunciar. Mas para tal é preciso conhecer.
Foi por aqui que o historiador começou a sua palestra. O desconhecimento da maçonaria, por ser tida como uma associação com um certo secretismos e que na comunicação social (dando como exemplos o “Tal & Qual”, Correia da Manhã ou a Revista Sábado) por desconhecimento dos autores dos artigos publicados ou por sensacionalismo, acabam por denegrir a imagem da Maçonaria. Já na parte final da sua conferência e interpelado pelo Notícias de Arronches, se esse facto não se deve à própria maçonaria por se ter fechado muito ao longo dos anos sobre sí própria, o que dá motivos a essa especulação. Frontalmente António Ventura admitiu que esse pode ser também um dos factores, até porque referiu no inicio da sua alocução, que há bom e maus elementos em todos os sectores da sociedade portuguesa, porque somos humanos, com todos os defeitos e virtudes.
O conferencista perante uma vasta plateia interessada em saber mais sobre a actividade maçónica, iniciou uma viagem pelos primórdios da história da maçonaria. A sua presença em vários capítulos da história do nosso país, bem como a ostracização e proibições a que foi sujeita ao longo dos tempos, pelo poder (monarquia e república) e pela própria igreja. Chamou no entanto a atenção apara a sua contextualização em cada um dos cerca de 300 anos de história.
O que é facto é que se pode verificar que membros destacados da maçonaria portuguesa, como militares, advogados, industriais ou políticos, foram elementos activos em várias ocasiões e muitas vezes colocados em órgãos de poder. Se bem que, na sua génese, esteja o seu ritual de iniciação, perante um livro sagrado de qualquer religião, e os seus símbolos como o avental, esquadro ou compasso, e sempre o não revelar o que se passa nas lojas ou triângulos, bem como deixar de lado as questões políticas.
A fundação do Grande Oriente Lusitano deu-se em 1801, no palácio Gomes Freire de Andrade ao Calvário e foi presidida por José Joaquim Monteiro de Carvalho e Oliveira, por ter o grau de Cavaleiro escocês.
Aliás como destacou o Prof. António Ventura, a Maçonaria Inglesa, foi o pilar de toda a maçonaria (que se divide em Lojas e Triângulos) que se estendeu pelo norte da Europa e periferia, e passou para o outro lado do Atlântico. No entanto, o historiador discorda que a Grande Loja Maçónica Inglesa se possa arvorar em “vaticano” da maçonaria, voltando de novo ao conceito da sua contextualização.
Só na parte final da sua intervenção, António Ventura se referiu à maçonaria a nível do distrito (principio século XX), destacando as lojas (sete mestres) de Portalegre e Elvas e alguns triângulos (três mestres) a nível de concelhos como Arronches, Avis, Ervedal, Barbacena, Fronteira, Gavião, Ponte de Sor, Galveias e Sousel. Estes triângulos não tinham continuidade porque, bastava a saída de um dos seus membros para ser extinto.

As três figuras do Triângulo nº 169 de Monforte



Quanto às referências sobre Monforte, elas consistiram num triângulo que nasceu na herdade da Revenduda, na Freguesia de São João da Ribeira no concelho de Sousel em 1869, através do agricultor Mariano Moreira da Costa Pinto, que viria a falecer em Torre de Palma.
João Duarte de Oliveira era outro dos seus mestres, um universitário de Coimbra, nascido em Cebolais de Cima/Castelo Branco e que foi médico municipal em Monforte e subdelegado de saúde. Após a implantação da República, envolveu-se na política, apoiando António Sardinha na corrida ao poder local.
Finalmente o outro mestre do Triângulo de Monforte (nº 169) foi José Maria Pereira Moura, nascido em Monforte, lavrador que chegou a ser Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Monforte, entre 1919-1958 e que viria a falecer a 14 de Setembro de 1960.



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