segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Concluiu-se em Arronches a "ESCOLA DE VERÃO ELCOS"


Tratou-se de uma iniciativa de formação em formato oficina que, durante três meses, se desenvolveu em Arronches, ocupando-se da patologia mais prevalente na área das feridas complexas, em todo o país e, particularmente no Alentejo. No formato oficina uma metodologia de formação/acção, os profissionais de saúde partilham conceitos e treinam práticas e técnicas que permitirão garantir uma melhor resposta clínica, no dia-a-dia dos contextos de saúde.
Nestes últimos três meses, com a periodicidade de uma oficina mensal, aos sábados, a Câmara Municipal de Arronches, que patrocinou a logística, viu, nas salas do Centro Cultural, outras dinâmicas, outras actividades, outras pessoas que se deslocaram de todo o país. 
No âmbito da formação, essencialmente desenvolvida para a preparação clínica, treinou-se desbridamento cirúrgico em tecido real, o uso do Doppler, Monofilamentos, Diapasão; treinou-se a aplicação de terapia compressiva para patologia venosa dos membros inferiores; treinou-se o uso do Micromotor e cureta, no tratamento das lesões não ulcerativas do Pé Diabético; avaliou-se o risco de patologia vascular dos membros inferiores à população diabética, voluntária, que se inscreveu na sede da ELCOS.
Para todas as actividades foram convidadas as estruturas locais de saúde: Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Arronches e Centro de Saúde.
Como formadores, contámos com membros da ELCOS: cirurgiões, gerais e vasculares, nutricionistas e enfermeiros, peritos e investigadores na área das feridas complexas.
Os formandos deslocaram-se desde Leiria a Faro, vindos de Lisboa, Santarém, Covilhã, Castelo Branco, Vendas Novas, Portalegre (alguns de Arronches), Évora, Beja e Faro. Vinham cedo, das suas terras para estar no Centro Cultural às 9 horas. Ao almoço, distribuíam-se pelos restaurantes locais.
Para o próximo ano, está já preparada a Escola de Verão ELCOS 2017 que se desenvolverá, com o patrocínio científico da Universidade de Évora, Universidade do Minho e do Ministério da Saúde, em todas as estruturas locais das ELCOS (Conselhos Regionais), desde Viana do Castelo até Faro.
Para último evento formativo em Arronches em 2016, a ELCOS-Sociedade Portuguesa de Feridas preparou a Oficina de Formação: PÉ DIABÉTICO.
No contexto actual dos cuidados de saúde, estima-se a prevalência de, no mínimo, 300 milhões de feridas agudas; 100 milhões de feridas traumáticas e 20 milhões de feridas crónicas. O impacto das feridas, tanto a nível da qualidade de vida individual, como no contexto social e económico (elevados custos financeiros e humanos), torna este aspecto da saúde dos cidadãos um assunto muito relevante em saúde pública, particularmente no Alentejo, onde o índice de dependência de idosos e o índice de pobreza são mais elevados do que no resto do país e a esperança de vida à nascença é menor.
No que respeita às feridas complexas e situando-nos no tema da última oficina de Formação, mais de um ¼ da população portuguesa integrada no escalão etário dos 60-79 anos, tem Diabetes, verificando-se uma correlação directa entre o aumento da diabetes e o envelhecimento da população.
Estima-se que cerca de 25% de todas as pessoas com diabetes tenha condições favoráveis ao aparecimento de lesões nos pés, nomeadamente pela presença de neuropatia sensitivo-motora e de doença vascular aterosclerótica.
As amputações do pé são 15 vezes superiores em doentes diabéticos em comparação com a população em geral, verificando-se que o número global de amputações ocorridas no Alentejo duplica as verificadas na região norte do País, para o mesmo período de tempo.
De modo a reflectir sobre esta realidade e promover ganhos em saúde, através da prática baseada na evidência, temos, em Arronches, para esta Oficina de Formação, uma equipa de peritos e investigadores na área do Pé Diabético: uma equipa multidisciplinar composta por cirurgião vascular e 5 enfermeiros que proporcionarão um dia de trabalho que se inicia com o diagnóstico diferencial, do Pé Diabético, critérios de referenciação e revascularização do pé, se continuará com a Avaliação do grau de risco do pé, através do uso do doppler, monofilamento e diapasão e se concluirá com o tratamento de lesões não ulcerativas e da pele ulcerada.
Face ao particular interesse do tema para a Medicina Geral e Familiar, foram enviados convites a todos os Directores dos Centros de Saúde do Distrito de Portalegre.

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