Colunista do Mês





Por: Francisco Corado

“A DEMOCRACIA É UM MAU SISTEMA, 

MAS NÃO TEMOS OUTRO MELHOR”.

Numa altura em que em Portugal se comemora o 43º aniversário do 25 de Abril, que nos acabou por trazer a democracia, na Turquia o cenário é bem diferente…
Houve um referendo proposto pelo actual presidente turco, Erdogan, que lhe atribui mais poder, tanto executivo como legislativo e, inclusivamente, judicial.
O resultado do referendo atingiu com 51.4% a favor do aumento de poder do Presidente, Embora a vantagem seja bastante magra, tenho de salientar que houve bastantes irregularidades o que tem motivado bastante contestação da parte da pouca oposição que ainda resiste na Turquia.
Desde a tentativa de golpe de estado que o presidente Erdogan tem feito um saneamento politico de grande parte da oposição. Ao ver agora a sua posição reforçada temos de esperar para ver o que vai sair, mas não augura nada de bom.
É pena vermos países como a Turquia e, por exemplo, a Venezuela afastarem-se da democracia. Como dizia Churchill “a democracia é um mau sistema, mas não temos outro melhor”.
Esperemos que a Europa, embora na ressaca do Brexit e com eleições muito complicadas em França, saiba lidar com mais esta crise da melhor forma possível.
Este é mais um desafio para a Europa ainda mais porque, a meu ver, a Turquia está cada vez mais afastada do processo que iniciou, de aproximação à União Europeia.
Em França vamos ter eleições brevemente sobre as quais as sondagens estão muito divididas. Uma coisa é certa, nota-se um aumento significativo de peso de forças politicas pertencentes aos extremos o que pode ser muito problemático.
Quer gostemos ou não as forças políticas tradicionalmente mais importantes e que constituíam o chamado “arco governativo” ou “centrão”, no caso português, o PSD e PS, asseguram alguma estabilidade governativa e social. Ao vermos as forças políticas mais extremistas ganhar peso pode-se criar uma instabilidade política com consequências quer a nível nacional como europeu e, inclusivamente, mundial.
As ideias extremistas, tanto de esquerda como de direita, sempre foram o ninho das ditaduras. É pois, com bastante apreensão, que vejo os possíveis cenários tanto deste Referendo Turco como as Eleições Francesas.
Um dos aspectos essências das democracias é a liberdade de expressão e é também uma das primeiras vítimas dos processos ditatoriais. A capacidade de abafar e calar todas as vozes que nos fazem oposição ou incomodo é um aspecto comum a todos os ditadores e temos bastantes exemplos quer cá em Portugal como em muitos outros países, por exemplo, na Alemanha nazi, em Cuba, na Coreia do Norte, etc., etc.  
Mais recentemente esse processo pode ser verificado quer na Venezuela quer na Turquia. Daí a importância que sempre dei ao voto que, muito mais do que um direito, deveria ser uma obrigação de todos, pois só através do voto é que podemos manifestar a nossa opinião.
Cabe aos políticos não deturparem essa realidade e respeitar integralmente a vontade do povo demonstrada em sufrágio eleitoral.
A liberdade de expressão e o acto eleitoral são dois princípios basilares da democracia.

Fiquem bem,