Tribuna do Director



    Fernando Neves Marques
             (Director)

Entre o centro liberal...e a extrema direita

O futuro da União Europeia joga-se no xadrez das eleições francesas. Com a saída do Reino Unido da U.E., estas eleições têm uma importância preponderante na manutenção, ou desmembramento, do sonho de Jacques Delors: Uma Europa, unida, solidária e mais justa na repartição da riqueza gerada.
Na primeira volta das eleições franceses Emmanuel Macron, o líder do centro direita, com ideias europeístas, em que o grande capital continuará a exercer o seu poder e ditar leis (logo com as bolsas a serem favoráveis), conseguiu 23,75% dos votos do eleitorado. Mas Marine Le Pen (a senhora que expulsou o pai do seu partido), obteve um resultado de 21,53% dos votos.
É certo que os analistas políticos ou, politólogos como agora se denominam, prevêem que, na segunda volta a realizar a 7 de Maio, Macron seja o futuro Presidente da República Francesa, em que a Igualdade, Fraternidade e Liberdade, possam ter o mesmo significado.
A grande ilação a retirar deste primeiro escrutínio é que o Partido Socialista Francês, quase que desapareceu (6,35%). Foram às urnas nesta primeira volta mais de 34 milhões de franceses e a abstenção de 21,31%.
Emmanuel Macron diz querer "unir todos os franceses". "O desafio não é votar contra quem quer que seja, é romper com um sistema incapaz de responder aos problemas do nosso país nos últimos 30 anos". Foi esta a mensagem de Emmanuel Macron.
Estamos numa nova era da democracia e perante um novo paradigma dos eleitores. Já não só conta a cor partidária como outros factores como a segurança e o medo.
Os atentados terroristas são uma realidade em todo o lado e, com as quais, daqui para a frente o Mundo vai ter que viver. Todos sabemos que o terrorismo ou as guerrilhas, são muito difíceis de combater. No caso do terrorismo basta um extremista se fazer explodir ou, como agora está na actualidade, roubar uma viatura e irromper perante uma multidão num qualquer local. Já quanto à guerrilha, basta olhar para a história e ver que nem franceses ou americanos venceram no Vietname ou em outro qualquer local, a menos que os guerrilheiros optem por outra via como os casos da Colômbia ou, mesmo aqui ou lado, no País Basco com a ETA.
Sobre esta complexidade, uma estação de rádio portuguesa fez deslocar recentemente a Paris uma equipa de reportagem para entrevistar uma especialista no fenómeno da radicalização, sobretudo a da extrema-direita. Um dos factores com que foi confrontada dizia respeito os emigrantes portugueses, muitos deles simpatizantes ou, mesmo apoiantes de Marine Le Pen.
A explicação encontrada para o facto que parece insólito, reside que, a comunidade portuguesa cuja emigração remonta aos anos sessenta, está perfeitamente integrada. As novas gerações não representam qualquer perigo para os franceses mas, são estes mesmos portugueses, que se sentem inseguros perante a onda de emigrantes muçulmanos, associados muitas vezes aos atentados de que a França tem sido alvo. Isto embora muitos deles são perpetrados por indivíduos já nascidos em França, não sendo fácil o seu controlo pelas forças de segurança.

Perante este cenário diz a expert francesa, que o que faz que os portugueses apoiem Marine Le Pen, é na defesa dos seus próprios medos.