Tribuna do Director



    Fernando Neves Marques
             (Director)

Abstenção o inimigo a abater

Estamos às portas das Eleições Autárquicas. Se é nas legislativas que se escolhe um governo, é nas autárquicas que os portugueses mais se reveem, pois muito das suas vidas vive-se e decide-se na gestão autárquica. Se há uma autarquia com uma boa gestão dos dinheiros públicos, que permite aos munícipes terem ao seu dispôr todos, ou quase todos os meios que vão do emprego, aos cuidados primários, ao ensino, desporto, lazer etc., o seu quotidiano está facilitado, mesmo que lá de cima, da capital, seja emanada legislação que, de alguma forma, possa prejudicar o seu dia-a-dia.
Mas, pior que a legislação, ou falta dela, mesmo que o seu Município seja exemplar, há motivos de preocupação que se têm vindo a agravar por um descrédito cada vez maior da classe política e um “inimigo” a abater: A abstenção que tem vindo a subir!
Os números crus aí estão e são de grande realismo e preocupação. Desde as primeiras eleições livres em 1976 que a abstenção tem vindo numa escalada. Logo em 1976 a taxa de abstenção cifrou-se em 35,4% dos eleitores e estávamos no início de uma jovem democracia - mal nascida, com muitos conflitos de interesses e muito mal cuidada ao longo dos anos. Nas últimas eleições autárquicas, portanto em 2013, mais de nove milhões  de eleitores foram chamados a votar e a taxa de abstenção ficou no alarmante número de 47,4%.
Já aqui o escrevemos. Se nas grandes metrópoles, ou grandes cidades uns milhares de votos a menos, por vezes não fazem a diferença, num concelho pequeno como o nosso, meia dúzia de votos a menos, podem fazer toda a diferença.
O Notícias de Arronches assumindo o papel do único órgão de comunicação local, tem o dever de colocar todos os meios à sua disposição, para que os candidatos, tratados com o mesmo critério e as mesmas oportunidades, possam passar as suas mensagens aos eleitores. E assim tem feito, sempre que há eleições autárquicas.
Na edição em papel, demos a conhecer os candidatos e as suas equipas nas apresentações públicas que ocorreram em devido tempo e, também divulgámos, as notícias que de outro modo nos foram chegando.
Aproveitando as novas tecnologias e as redes sociais associadas ao Notícias de Arronches (canal de vídeo da edição online e facebook), divulgámos num vídeo (disponibilizando um período de seis minutos a cada força política) para poderem passar a sua mensagem, quer através da palavra como da sua própria imagem.
Não colocámos perguntas, deixando ao critério de cada um o que entendiam ser o melhor para dizer aos arronchenses, aproveitando aquele espaço de tempo que não podia ser excedido ou, não utilizado na sua totalidade.
Nesta mesma edição em papel e a poucos dias do 1 de Outubro de 2017, disponibilizámos um espaço de 4.200 caracteres (mais imagem) para que cada uma das forças concorrentes tivesse uma última oportunidade de chegar aos arronchenses/eleitores. Isto para além dos meios que cada um dispõe nas suas próprias estruturas nesta campanha eleitoral.
Estamos, como sempre estivemos, de consciência tranquila. Com aquela tranquilidade que nos cabe nesta profissão que se deve pautar pela isenção e igualdade de oportunidades, sem atender a cores partidárias ou credos religiosos.

Quando no domingo for votar, faça-o em consciência e na certeza que está a contribuir com o seu dever cívico, para uma melhor democracia e a “lutar” contra o abstencionismo