Política

Reuniões de Câmara









4ª e última Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de Arronches neste mandato

Queimaram-se os últimos “cartuchos” numa Assembleia “viva, se calhar por 
estarmos neste período eleitoral”, reconheceu o Vereador do PS, Gil Romão.



Por opção editorial dedicamos este espaço que habitualmente é destinado à cobertura das Reuniões de Câmara, por esta ser a última oportunidade do órgão máximo do Município se reunir.


Na realidade foi uma Assembleia viva, ou não fosse esta a última do presente mandato e os Deputados Municipais terem aqui a oportunidade de esgrimirem os seus últimos argumentos.
Este é o espaço por excelência para debater e confrontar ideias mas, deixou um pouco a desejar, porque se falou mais do passado, do que do futuro que se avizinha com as próximas eleições.
Depois da aprovação da acta anterior que contou com duas abs-tenções por ausência de deputados que não estiveram presentes, a Presidente da Mesa, Maria Emília Costa leu do expediente recebido uma carta do 1º Sargento Luís Marino que cessou funções no comando do Posto Territorial de Arronches, agradecendo o bom relacionamento institucional entre as partes ao longo dos quatro anos que esteve colocado em Arronches. Por unanimidade ficou acordado a Assembleia, responder a esta missiva desejando felicidades ao 1º Sargento Luís Marino no seu novo cargo.
Ainda dentro do período de Antes da Ordem do Dia, o PS apresentou uma declaração que visava o esclarecimento de duas entrevistas dadas pela Presidente a um jornal regional e outro de âmbito nacional. Os socialistas afirmam que nessas entrevistas haviam inverdades, sobretudo no número dos empréstimos bancários e, quiseram saber se essas entrevistas envolveram dinheiros públicos ou não. No uso da palavra a Presidente explicou que a entrevista ao jornal regional foi solicitada pelo próprio e não teve qualquer custo. Quanto à segunda (jornal nacional) foi feita uma publicidade no valor de 1.100,00€, para divulgar Arronches e o jornal entendeu fazer-lhe uma entrevista. Quanto aos empréstimos o que afirmou foi que são 17, o outro número que aprece não é da sua responsabilidade.
Nesta última sessão não poderia faltar o “voltar ao passado”. Foram chamados à coacção motivos como a divida herdada pelo PSD, com a já “original” troca de números. Por um lado o PS diz que os números não são os que a presidente tanto gosta de afirmar, por outro lado, a Presidente a dar como exemplo que a liquidez do Município com o Partido Socialista no poder era de 553.000,00€ enquanto actualmente a liquidez é de 5.630.000,00€ ou seja, para o PSD é 10 vezes superior, o que atesta bem a situação desafogada do Município de Arronches.
O Deputado (PS) João Palmeiro sobre esta matéria disse “que se não tem herdado o que herdou do PS, não estava a cantar de galo. Herdou um oásis”, afirmou.
A Presidente entregou ao deputado do PS um documento do Município, dizendo que era para consultar depois com mais tempo. Teria ainda na parte final referido que iria pedir aos serviços mais outro documento (serviço de tesouraria à data da tomada de posse) para que fosse enviado ao Deputado Municipal, João Palmeiro.
Dentro deste “pingue-pongue” de acusações e defesas, o Deputado Luís Mergulhão centrou-se mais sobre a demografia (uma área da ciência geográfica que estuda a dinâmica populacional humana), ao que parece pelas palavras elogiosas da Presidente da Mesa da Assembleia, é uma pessoa com formação académica nesta matéria. Jogou com os números, recorrendo à média referente ao distrito, para demonstrar que nos últimos anos Arronches está a perder população, porque não há empresas em Arronches que possam captar pessoas.
Em resposta Fermelinda Carvalho, afirmou que “isso acontece desde os anos sessenta em que Arronches tinha mais de seis mil habitantes e ficou reduzido em pouco mais de duas décadas a metade dessa população” pelo surto migratório para o litoral. Actualmente a situação é “transversal a todo o território interior e cabe ao governo ter políticas no sentido de captar pessoas para o interior”. Na sua opinião houve nos últimos anos “apenas uma preocupação na Câmara de Arronches: que esta fosse a maior empregadora do Concelho”, e só agora se falar na falta de empresas. Recordou que quando chegou à Câmara, a G.A.S.L. de Armando Lopes, tinha saído de Arronches para outro concelho; o Lagar de Azeite tinha fechado e a empresa de enchidos (Beloteiros) pelo falecimento do seu proprietário, também.
Ainda mais alguns assuntos já tantas vezes aqui divulgados pelo N.A. vieram para o debate. Mas sintetizando, destacamos a intervenção da Presidente da Mesa, quando elogiou o papel do então Presidente Miguel Lagarto, dando como exemplo o seu trabalho em prol de Arronches, terminando por apelar “à construção, não no sentido literal do termo mas, à construção pedagógica”, referiu.
Gil Romão com um registo mais apaziguador de início, quando afir-mou no que se refere ao investimento que “todos estamos de braços abertos para receber empresas, as de há 40 anos, 20 e de agora”. Falou ainda, ressalvando que era em defe-sa da sua honra, sobre o recurso aos empréstimos. Então era vantajoso, dado que os juros a prazo eram superiores aos dos empréstimos. Recordando mesmo uma frase que disse repetia muito: “vamos comprar dinheiro, quando não precisamos dele”, concluiu.
Citou de forma filosófica escritores que revisitou (Virgílio Ferreira) para dizer que a Presidente insiste na mentira, pensando que algum dia alguém vai pensar nela como verdade.
Depois desta intervenção do Vereador, o Deputado do PS, João Palmeiro afirmou dirigindo-se à Presidente da Câmara que “a senhora é pequenina, se fosse grande não sei. Tudo o que anda à volta da senhora presidente anda assim”, fazendo a sinalética manual do medo.
Também Fermelinda Carvalho voltou a tomar a palavra em defesa da sua honra como disse. Chamou à atenção para a forma como “o Deputado João Palmeiro actua” e que já o conhece bem. Insistiu que nunca disse que” recebeu uma Câmara em situação crítica”; mantêm que na realidade são 17 os empréstimos bancários que o Município está a pagar, alguns deles contraídos há bastantes anos. Recordou se ”uma câmara em 40 anos fez obra", não colocando em causa “se bem ou mal”, a sua governação em oito anos também a fez, ”ela está à vista e a solidez financeira da Câmara fala por si”. Referindo-se às declarações de Gil Romão, afirmou que o “então Presidente Gil Romão era bem conhecido dos arronchenses por ser uma pessoa arrogante e, que talvez fosse isso, o que levou a perder as eleições em 2009”.
Finalmente chegados aos assuntos do Período da Ordem do Dia, foi aprovada por unanimidade a 3ª Revisão ao Orçamento Municipal de 2017 e as Grandes Opções do Plano de 2017/2020. A Presidente da Câmara prestou informação sobra a actividade municipal, situação financeira e processos judiciais pendentes. A Presidente da Mesa deu então por terminada a 4ª e última sessão da A.M. neste mandato. Recordando que ainda estará presente para a tomada de posse do novo elenco que saia das próximas eleições.
Constatamos que, com a falta de assistência nesta como noutras sessões, ficariam apenas registado entre os políticos os assuntos deba-tidos nesta sessão, daí a nossa pre-sença para que haja uma maior divulgação e conhecimento.

                Fernando N. Marques|Foto-Noticias de Arronches